POEMA DE FINADOS / Manuel Bandeira



Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai.
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.

Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.

O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
Em verdade estou morto ali.

Esse poema de Manuel Bandeira; desnuda a nossa dor de almas orfãs; principalmente de filhos que  sentem muito a perda do pai. A dor de se perder os pais é imaginável, só sente realmente quem já passou por isso.
Nesta ocasião destinada a reflexão não poderia deixar de prestar uma homenagem aos meus pais que se foram e que deixaram, em mim, a dor da saudade...Jamais uma separação, tão brutal, será uma doce lembrança. Todos nós, neste dia de finados, seremos um pouco 'Manuel Bandeira'.


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